E por falar em consumo consciente...
Acabo de ler o brilhante texto (como sempre) do meu amigo Jayme Serva do Dito Assim (vide links). Trata da concorrência que comenta-se no mercado livreiro. Já que falamos de simplicidade, segue a sensibilidade do bom e velho Jayme. Leia e manifeste-se!
Empresas café-com-leite: é isso o que, de tempos em tempos, parece que setores do empresariado tentam implementar no Brasil. Já se viu isso na suderurgia, nos computadores, nas agências de propaganda. Agora, quem quer pôr a mão no pique são os livreiros. Uma certa ANL -- Associação Nacional das Livrarias -- quer fazer passar um projeto-de-lei que regulamente os preços dos livros no varejo. Na prática, os livros teriam um preço fixo, a ser praticado por todas as livrarias, sem direito a dar descontos -- ou com um padrão de descontos pré-determinado -- durante os dois primeiros anos a contar do lançamento da publicação.
É engraçado ver como o capitalismo tem um discurso pendular por aqui. Qualquer ação do Estado que pareça atrapalhar seus negócios -- das cotas para filmes nacionais nos cinemas à concessão de horários gratuitos na TV -- merece indignação, manifestos, defesas apaixonadas da livre-concorrência e do Estado mínimo. Basta, porém, que a livre-concorrência ameace suas lojinhas para que logo clamem pela proteção do Estado-máximo-possível e rezem a ladainha do oprimido pelo capital -- como se suas empresas fossem ONGs e as grandes redes fossem fábricas de motosserra.
Dói no coração ver fechar a livraria do bairro, enquanto a Barnes & Noble ou, no nosso caso, a FNAC passeiam em céu de brigadeiro. Agora, por que as gigantes prosperam e as pequenas fecham? Porque atendem melhor ao consumidor no quesito preço e variedade. Já se viu a mesma coisa acontecer com os armazéns, empórios e vendas de bairro. Foram superados pelas redes de auto-serviço. Fico imaginando se, lá pelos anos 60, o congresso fizesse passar um projeto-de-lei fixando o preço do arroz, da vassoura de piaçava, do xampu ou do pão de fôrma para preservar os pequenos estabelecimentos da sanha predatória do Pão de Açúcar.
Não há dúvuda de que a prática de dumping deve ser coibida, bem como a excessiva concentração da atividade econômica em poucos agentes. Já há leis e instituições para isso. Há, por outro lado, uma evolução inexorável do mercado, que força quem empreende a se refazer dia a dia -- é este o preço que se paga para obter lucro no capitalismo que hoje se desenha à nossa volta. Fazer leis para blindar um determinado setor dos efeitos de sua própria evolução é proteger a ineficiência e, mais grave, é cobrar do consumidor um sobrepreço que ele não merece pagar.
Estarão, então, as livrarias de bairro entre a cruz e a caldeirinha? Só restará às que não são gigantes deixar um bilhete sobre a mesa e abrir o gás? A experiência tem mostrado que não necessariamente. Quem agrega valor ao que vende pode subir o preço de capa. É o caso da Livraria da Vila que, a 200 metros da FNAC vai bem, obrigado, mantendo seu horário normal de funcionamento (fecha mais cedo que a gigante e não abre aos domingos com faz a outra) e não entra na guerra de preços de lançamentos.
O segredo? Começa pela Cida, que gerencia a loja e sabe receber o cliente, fazê-lo sentir-se em casa e responder suas questões. Segue pela arquitetura, pela seleção dos funcionários, pela escala de eventos, pelo pequenno auditório, pelo micro-bar. É um lugar que presta serviços em troca dos parcos reais que eventualmente cobra a mais pelos livros. Por isso, é competitivo sem ser mais barato.
Fixar preços via tabelamento por lei é, além de oficializar a prática de cartel, estabelecer um pacto de mediocridade. Todo mundo passa a se equivaler comercialmente, às custas do bolso do consumidor. Isso até o momento em que ele, então escolha lugares com serviço agregado, como a Livraria da Vila. Aí então, possivelmente a ANL proporá uma nova lei proibindo tratar bem o cliente e determinando que todas as livrarias do país tenham a mesma arquitetura, os mesmos títulos, expostos da mesma forma e que, em cada loja, os vendedores sejam obrigados a dar a mesma resposta a qualquer pergunta: "Sei lá, se vira aí e passa no caixa depois."
Afinal, que história é essa de de ser criativo e prestativo para conquistar o cliente? Concorrência desleal, ora essa!
Escrito por Cadu Lemos às 00h00
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Consumo Consciente e Simplicidade
Este texto publicado no blog da minha amiga Cida http://med.blog.uol.com.br/ , retrata um evento em que participamos juntos, à convite da Rosa Alegria www.perspektiva.com.br , com a Vicki Robin, famosa defensora do consumo responsável. Vou tecer comentários sobre o que vi neste dia brevemente.
Enough is more. O suficiente é mais.
Até breve.
Fazer mais com menos? Quem somos? O que queremos? Por que fazemos o que fazemos?
Simplicidade. Quando estamos muito atarefados, cansados, nós buscamos lugares calmos para relaxar. É lá que encontramos pessoas que vivem e experimentam a simplicidade todo o tempo - e não somente no corte que nos dispusemos a observá-los. Elas estão lá, vivendo de uma maneira simples e é com elas que aprendemos ou relembramos a simplicidade. Estes lugares existem aos milhares no planeta, mas a dinâmica da vida nos grandes centros urbanos promove uma comunicação tal que alimentamos a ilusão de que todo o restante do planeta vive desta maneira frenética, regulada pelo relógio, sem tempo para estudar e refletir sobre as coisas.
Aliás, a ilusão nos persegue quando o assunto é violência, entre outros. A suposta falta de tempo achata a vida e, como vamos ficando sem respostas adequadas às nossas questões, vamos encontrando explicações ‘estepes’ para alimentar nossas crenças interiores. O resultado? Complicação, sufocamento, paralisia. Quando percebemos que algo precisa ser feito é porque chegamos ao limite: uma demissão repentina, uma brusca mudança da vida, que nos faz pensar e agir.
Há duas semanas Vicki Robin, autora de Your Money or Your Life, http://www.simpleliving.net/ymoyl/default.asp, esteve em São Paulo e, entre várias atividades, reuniu alguns interessados no tema para um diálogo sobre estas questões. Simplicidade não tem a ver com pobreza ou privação de bens. Tem a ver com a reflexão que visa descobrir o que é necessário, com base em análises de nosso estilo de vida e valores, descartando o restante.
Vicki acredita que "mudando a relação que estabeleço com o dinheiro, muda minha relação com a vida". E ela afirma que o consumismo é como um câncer, associado à idéia de que "como não tenho consciência de quem eu sou, adquiro bens para cobrir esta lacuna" e pergunta: este produto reflete meus valores? Se sim, compre-o. ““.
O movimento da simplicidade não é contra a complexidade - inerente ao complexo movimento das manifestações vitais do universo - mas sim contra a complicação. Podemos despender tempo oferecendo mais sorrisos, mais música e canto, mais alegria e troca conosco, com o ambiente que nos cerca - seja a natureza ou o ambiente social. O site www.simpleliving.net traz uma série de reflexões sobre o tema.
Simplicity is about discovering what is "enough" in your life -- based upon thoughtful analysis of your lifestyle and values -- and discarding the rest. This is what Vicki Robin is talking in her new bood Your Money or Your life http://www.simpleliving.net/ymoyl/default.asp .
Escrito por Cadu Lemos às 20h09
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