O momento é muito, muito grave.

Não posso deixar de reproduzir um texto de ontem, do site Primeira Leitura, que alerta para o que pode acontecer (ou pior, o que pode não acontecer). Ele lança luz sobre questões institucionais e que impactam seguramente o mundo pessoal e profissional de todos nós.

E se não acontecer nada?

Por Liliana Pinheiro

Há uma estranha conjunção de fatores no governo Lula que põe mais em risco a democracia do que qualquer falcatrua que petistas tenham aprontado ou venham a patrocinar: o partido, a começar do presidente Lula, parece não se sentir obrigado a dar respostas para a sociedade sobre as crises em que se mete e para as quais arrasta o país; e essa mesma sociedade se sente pouco compelida a exigir uma mudança de postura.

O presidente afirmou nesta terça que o ministro Antonio Palocci fica no cargo mesmo diante de um mar de suspeição. A Caixa Econômica Federal, um banco estatal, informou aos senadores que precisa de 15 dias para saber quem violou o sigilo bancário do caseiro que denunciou o ministro — e, olhe lá, avisa que talvez não consiga nada, mesmo nesse tempo prolongado, porque precisaria do extrato original da conta de Francenildo. Que história mal contada!

Essas duas exibições de desapreço à verdade e à urgência de uma resposta política definitiva não são tudo. A imprensa não se cansa de revelar detalhes da operação “fica Palocci”. A Reuters apurou que o governo colocou o Coaf (subordinado ao Ministério da Fazenda) para descobrir as origens dos recursos na conta do empregado da casa do lobby — o que é mais uma tentativa de deixar uma testemunha num beco sem saída e temerosa de acabar como ré. O Correio Braziliense revelou que a divulgação dos dados bancários foi feita por um assessor do Ministério da Fazenda. O Globo descobriu que o extrato foi solicitado enquanto Francenildo estava na Polícia Federal. Blogs e sites não param de ligar os pontos sobre o uso da máquina de Estado para atrapalhar as investigações.

Nada é o bastante para que o governo se mova na direção da transparência, ao contrário. Histórias nebulosas se tornam tenebrosas num piscar de olhos, bastando para isso que o Planalto siga apertando, impunemente, os botõezinhos do poder para patrocinar operações-abafa. Desde a histórica entrevista de Roberto Jefferson, que revelou a prática do mensalão no Congresso, em junho do ano passado, seguimos alegremente na direção do abismo em que se perdem os direitos democráticos — pessoais e políticos, pois não nos é dado mais nem seguir investigações parlamentares, com muitas frentes trancadas por determinação judicial.

As leis que protegem os cidadãos existem, assim como os códigos de ética pública e os mecanismos teoricamente externos de controle. Mas o governo, que deveria curvar-se a isso, partiu para a exploração das brechas do universo institucional para se manter a salvo. A oposição acordou atrasada, e a sociedade está calada.

Está tudo armado para que nada aconteça em mais esse grave episódio que abala a República. Caso isso se confirme, independentemente de que ganhe a eleição em outubro, o Brasil sairá muito machucado, o que se poderá conferir no aumento da selvageria de movimentos sociais já hoje com condutas marginais e na sensação generalizada de impunidade, que produz muito mais bandidos — inclusive os engravatados — do que qualquer circunstância econômica.

Corrupção não é o problema maior destes tempos, pois democracias têm de estar aptas a lidar com isso. O problema é que a ordem política, sob a batuta do PT, está se desorganizando de forma célere e contaminando outros Poderes. E a sociedade está inerte. As razões da sonolência são muitas, mas, mais urgente do que enumerá-las, é abrir espaço para que as forças de resistência cumpram seu papel. O jogo nunca foi tão perigoso. 

[liliana@primeiraleitura.com.br]
Publicado em 21 de março de 2006.



Escrito por Cadu Lemos às 09h32
[] [envie esta mensagem]



Pausa para relaxar...

O link abaixo é sensacional. Veja como é fácil criar um discurso igualzinho ao do Lula sem trabalho nenhum. Divirta-se.

http://www.euhein.com.br/mambo/especiais/o_gerador_de_discursos_do_lula.html

 



Escrito por Cadu Lemos às 13h50
[] [envie esta mensagem]



Flertando com o perigo e o tombo de Lula

Flertando com o perigo

A quebra clandestina do sigilo bancário do caseiro Francenildo tornou-se um grande problema para o governo. Nesse brejo, já mais ninguém duvida, tem sapo. É batráquio corajoso. Do tipo que brinca com jacaré. A coluna de Mônica Bergamo (na Folha, para assinantes) lança, em duas notas, os primeiros fachos de luz sobre o pântano:  

 

* Por dentro: A superintendência da CEF (Caixa Econômica Federal) do Piauí está na esfera de influência direta do PT. O governador do Estado, Wellington Dias, já foi funcionário do banco e presidente do Sindicato dos Bancários de Teresina (PI). Foi na CEF do Piauí que o empresário Eurípedes Soares da Silva fez depósitos em dinheiro para o caseiro Francenildo Santos da Costa. O caseiro teve as contas devassadas depois de depor na CPI contra o ministro petista Antônio Palocci Filho.

* Colaboração: A oposição acha que, além de Palocci -a quem a CEF é subordinada - e da Polícia Federal, que recebeu informações de contas bancárias do próprio Francenildo, também os petistas, dado o conhecimento que têm do banco, podem ajudar a esclarecer quem escarafunchou as contas do caseiro. Quebrar sigilo bancário é crime.

Escrito por Josias de Souza às 12h16

Acabo de rece ber via "Turma do Naum", grupo de discussão política que costumo a acompanhar, o material que reproduzo abaixo.

Este blog tem a missão principal de comentar aspectos e variáveis do mundo corporativo, mas estas, sem dúvida ficaram secundárias depois do que li aqui.

É de se ficar preocupado. A quebra do sigilo do "simples caseiro" já deveria ter custado muitas cabeças se este fosse um país minimamente sério. A omissão do ministro da justiça impressiona. Mas é de Lula, que vem o pior. Esquecimento.

Até breve com a sequência de "A Corporação Tribal". Cadu Lemos 13:34

O tombo de Lula 1: uma frase que lembra Ciro em 2002

9h11 - Os articuladores da candidatura Geraldo Alckmin (PSDB) ao Planalto ganharam, de mão beijada, aquela que pode ser uma das gafes destruidoras da campanha de Lula pela reeleição. É uma frase dita pelo próprio Lula, que tem tudo para ser martelada no horário eleitoral e mostrar quem é o presidente. Uma frase com impacto profundo entre a população do Nordeste e o eleitorado mais pobre de Lula país afora, aqueles que o têm como “um dos nossos”. Em 2002, o então candidato Ciro Gomes destruiu a campanha dele com duas frases bombásticas: 1) sem saber que estava sendo gravado em áudio e vídeo, ele apareceu no horário eleitoral do rádio e da TV chamando um eleitor de “burro”; 2) perguntado sobre o papel da mulher dele na campanha, a atriz Patrícia Pillar, Ciro deu uma resposta machista: "Minha companheira tem um dos papéis mais importantes, que é dormir comigo. Dormir comigo é um papel fundamental." A frase de Lula foi ressuscitada das profundezas políticas por Benta Maria dos Santos Costa, ex-babá, desempregada, vivendo de uma meia pensão e de R$ 50 do Bolsa Cidadão. Benta é a mãe do caseiro Francenildo Costa, o que viu o ministro Antonio Palocci (Fazenda) na casa da “república de Ribeirão Preto” e teve o sigilo bancário quebrado ilegalmente e exposto na revista Época desta semana. – Rui Nogueira

 

O tombo de Lula 2: o dia em que ele “esqueceu a origem”

9h13 - Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a mãe de Francenildo, Benta dos Santos Costa, espantou-se com o desprezo com que o filho foi tratado por Lula, na tentativa de desqualificá-lo. Segundo relato do repórter Expedito Filho, ela afirmou: “O Lula abre a boca na televisão e diz que ele é um simples caseiro. O que ele quer dizer com isso? Ele estava ofendendo o meu filho. Ele saiu de onde? Lula não nasceu em berço de ouro. Meu filho é um simples caseiro sim, mas criei ele sozinha para ser um homem honesto e falar toda a verdade. O que é que adianta ser filho de papai e mamãe e não falar a verdade?”. Na opinião dela, Lula “esqueceu a origem de operário”. Que ele faz um esforço danado para nunca se lembrar, lá isso é verdade, dona Benta! A verdade é que "o simples caseiro" pegou Palocci na mentira. E Lula deve se preparar para a notícia de que mais gente do governo frequentou a "república de Ribeirão Preto". - Rui Nogueira


 

 

 



Escrito por Cadu Lemos às 13h02
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]


Histórico
Ver mensagens anteriores

Votação
Dê uma nota para meu blog


Outros sites
Cadu Lemos - Site Oficial - Liderança & Espírito de Equipe
Digital Aboriginal
Fast Company
dito assim parece à toa
Blog do Bem