De volta
Fiquei uns dias fora do ar e devendo informações sobre o magnífico documentário "A Corporação".
Como estou na correria, antes de colocar o meu comentário sobre o impacto que o filme me causou, deixo algumas imagens e a sinopse.
Volto em breve com a minha visão, mas se vc já assistiu manifeste-se!
 
Por Richard James Havis
NOVA YORK (Hollywood Reporter) - Os ataques às práticas éticas e sociais das grandes empresas que compõem o documentário "A Corporação" não serão novidade para a maioria dos liberais bem informados.
Mas a pesquisa bem feita, a apresentação clara e a correlação precisa com os escândalos recentes envolvendo grandes empresas norte-americanas devem incentivar os espectadores bem menos informados a refletir mais profundamente sobre o papel das grandes firmas no mundo.
Se tivesse sido exibido alguns anos atrás, "A Corporação" provavelmente tivesse passado desapercebido. Mas o destaque ganho por "Fahrenheit 11 de Setembro" e os escândalos envolvendo empresas norte-americanas devem despertar o interesse do público. O fato de Michael Moore aparecer no filme, como entrevistado, é uma atração adicional.
A produção canadense é dirigida por Mark Achbar ("Manufacturing Consent: Noam Chomsky and the Media") e Jennifer Abbot a partir de um livro de Joel Bakan.
O documentário começa com um breve histórico legal das grandes empresas. De acordo com a lei, as firmas têm os mesmos direitos que os indivíduos: podem processar, ser processadas, etc.
Mas o foco do filme está em mostrar que existe uma grande diferença entre o indivíduos e a corporação. Espera-se dos indivíduos que demonstrem responsabilidade ética e social. Já a corporação tem, por lei, apenas uma responsabilidade: garantir a seus acionistas o maior lucro possível.
O longa-metragem afirma que esta é uma abordagem unidimensional que conduz à exploração da força do trabalho, à devastação do meio ambiente, a fraudes contábeis e várias outras coisas do gênero.
WTC E O OURO
Para comprovar seu argumento, os cineastas entrevistam cerca de 40 pessoas, incluindo Noam Chomsky, Milton Friedman, Mark Moody-Smith (ex-presidente da Royal Dutch Shell) e os jornalistas Jane Akre e Steve Wilson, ex-funcionários da Fox News.
Os temas variam desde fábricas de fundo de quintal no Terceiro Mundo até a destruição do meio ambiente, passando pela patenteação do DNA.
Uma parte perturbadora do filme mostra um negociador de commodities, Carlton Brown, dizendo que, ao assistir ao ataque terrorista contra o World Trade Center, os dealers de ouro acharam que a tragédia teria um aspecto positivo, na medida em que faria o preço do ouro subir.
Os cineastas deram a executivos-chefes como Mooy-Smith a oportunidade de apresentar argumentos em favor da responsabilidade empresarial.
O que Moody-Smith quer mostrar é que existem alguns líderes bons nas grandes empresas, capazes de conduzi-las num rumo positivo.
Os diretores respondem que esses poucos bons líderes não serão capazes de impor uma responsabilidade ética a uma máquina construída com o objetivo único de auferir lucros.
Um raio de esperança é lançado por Ray Anderson, executivo-chefe da Interface, a maior fabricantes mundial de tapetes. Anderson se conscientizou da questão ambiental e reestruturou um terço de sua empresa, que vale 1,4 bilhão de dólares, com base em princípios ecologicamente sustentáveis.
"A Corporação" não é um trabalho de ativismo global que defenda a derrubada do capitalismo. Uma seção final do filme analisa como o poder das grandes empresas pode ser reduzido por meios legais e sociais.
Alguns trechos do filme, como um em que Michael Moore, antes do lançamento de "Fahrenheit", comenta por que a Disney lança filmes de um inimigo declarado das grandes empresas, como ele, estão datados, e o filme fala muito pouco da Worldcom ou da Enron.
Mesmo assim, será muito bem-vindo pela parte do público cujas preferências políticas se situam à esquerda do centro.

Uma crítica precisa do filmes:
Rodrigo Zavala
Produzido no Canadá e baseado em um livro homônimo de Joel Bakan, o documentário A Corporação chega aos cinemas com a tarefa de se igualar em impacto às produções dos diretores Michael Moore (Farenheit 11/9, Tiros em Columbine) e do histérico Morgan Spurlock (Super Size Me – A Dieta do Palhaço). Com críticas virulentas ao sistema capitalista, à globalização e, em especial, às grandes corporações americanas, o filme traz ao espectador uma mensagem alarmante da falta de escrúpulos e qualquer moral das empresas que dominam o mercado e os meios de comunicação.
Diz a regra, que o crítico deve se ater à qualidade técnica das produções que analisa, em maior grau do que suas impressões sobre a temática do filme. No entanto, o documentário A Corporação é um caso atípico. Afinal, a produção não tem um tratamento ou brilho excepcionais, tornando-o quase um programa televisivo.
Porém, a agilidade com que concatena as denúncias sobre a amoralidade do capital, unindo aqui inimigos da globalização, como Noam Chomsky, Naomi Klein, Milton Friedman e Michael Moore, torna o filme uma das grandes estréias do ano. A narrativa veloz e incisiva faz o espectador se deleitar e questionar sua própria conduta durante as duas horas de projeção, que podem passar despercebidas para os espíritos mais inquietos.
Cabe falar do excelente trabalho de Joel Bakan, com sua contribuição para o produção do roteiro, e da dupla de diretores Jennifer Abbott e Mark Achbar, que conseguiram dar dinamismo a um tema complexo, que facilmente poderia cair em uma rede de clichês esquerdistas. Uma felicidade para o espectador, que busca algo novo e interessante.
Para isso, o documentário tem uma linha argumental bem definida: revela os artifícios legais americanos que tornam uma corporação uma “pessoa“, com direitos e obrigações definidas pela legislação. Seguindo por esse viés, o filme questiona o comportamento, conduta e desejos dessa empresa, vista pela ótica legal. Amorais, única e exclusivamente motivadas pela busca de benefícios aos associados, as corporações aparecem como grandes vilãs do mundo contemporâneo.
Um caso curioso é um teste psiquiátrico proposto pela Organização Mundial de Saúde. Como judicialmente são vistas como pessoas de direitos, Joel Bakan demonstra que elas se enquadrariam em um perfil de psicopatia crônica. Isto é, elas são uma ameaça para a população, tal como é comprovado pelo FBI durante as duas horas de diversão esclarecedora.
Escrito por Cadu Lemos às 19h13
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