CRUZADA

Fui ver pela segunda vez o épico do Ridley Scott. Finalmente um filme que merece ser chamado de épico.
Na primeira vez que fui ver o filme, duas coisas saltaram à minha percepção. A mais óbvia e citada 11 em cada 10 críticas,´trata da questão política judaica/cristã x palestina. Ok, a coisa já acontece há muito tempo, mas ver o filme dá uma perspectiva histórica fundamental (não fundamentalista, ressalto) para concluirmos que o conflito faz parte da nossa vida humana desde que começamos a andar por aqui.
O outro aspecto, para mim extremamente sensível e digno de nota é a questão do "reino de consciência", palavras proferidas pelo jovem Balian (interpretado de forma correta mas não espetacular por Orlando Bloom) quando pressionado a fazer um pequeno mal por um grande bem. O rei, em ocasião anterior havia dito ao personagem guerreiro que mover pessoas e situações (usava um jogo de xadrez quando falava) é uma questão de exercício de poder, faz parte da natureza humana. Mas mover a alma, a consciência não, é uma jornada individual e solitária.
O filme então, ataca a questão fundamental que, na minha modesta opinião, desencadeia qualquer conflito:
A busca do exercício ilimitado de poder, o fanatismo, a concessão fatal, a "vista grossa", o pequeno mal (é só um pouquinho, ninguém vai perceber, não prejudica ninguém, etc).
Não ser ético, não agir com consciência.
Talvez por isso, estejamos vivendo a crise ética e moral (seguramente a pior que já vivemos, porque pública) de Brasília e alhures.
Se não viu ainda, vá ver. Veja no cinema. Tela grande, escuro e silêncio. É impactante.
Tenha um bom dia.
Escrito por Cadu Lemos às 12h28
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